7 - Verdade e Justiça - reavaliação no pôr do sol e recomeço no amanhecer
A trama, que se inicia em 1870, na Estônia, nos apresenta ao jovem e determinado Andrés e sua esposa Krõõt. Eles compram uma fazenda pantanosa com a esperança de iniciar uma nova vida, mas logo se veem confrontados por grandes desafios.
O filme traz uma profunda reflexão sobre como os ideais, que nos movem, podem se perder em meio às circunstâncias da vida.
Enfrentando inúmeras adversidades, alguns desistem e se entregam ao desespero. Outros, como Andrés, mesmo se tornando amargos e insensíveis pelo sofrimento, encontram a força para mudar de rumo. A vida, cheia de incertezas, se mostra também rica em oportunidades de recomeço.
O filme destaca, ainda, os impactos negativos que a mentira e a iniquidade — traduzidas em perseguição, maldade e hipocrisia — provocam em nossos ideais, quando entramos no mesmo jogo desviado.
Ele nos lembra que não devemos deixar as trilhas da verdade e da justiça, sob pena de nos desviarmos do caminho para o ideal sonhado, enquanto o tempo corre e a velhice chega. Mas, sempre é tempo de recomeçar.
O sonho de Andrés era criar um lar onde sua família amasse a terra, transformando o pântano em uma floresta viva. No entanto, com a morte da sua esposa, que representava a pureza desse ideal, ele mergulha em um profundo conflito. Mas, das profundezas de sua amargura, já envelhecido e sem saída, ele se levanta. Andrés não desiste, e decide retomar seu caminho, buscando a luz do seu ideal original.
A reavaliação do curso da vida é sempre possível, mesmo no final do grande ciclo, a velhice. O amanhecer — símbolo de recomeço e esperança — pode reacender a chama do ideal sonhado, sucedendo cada pôr do sol.
Preferível é que essa reavaliação seja feita em ciclos menores, até mesmo o lapso de cada dia, embora o recomeço e a esperança nunca cheguem tarde para um novo amanhecer, mesmo no grande ciclo da vida.
É um belíssimo filme que nos inspira a refletir sobre a força e a capacidade de recomeçar, provando que nunca é tarde para buscar o que acreditamos.
A lição que se oculta nas profundezas da história!
Notas
1) Estônia
A Estônia está localizada na costa oriental do Mar Báltico, limitada pelo Golfo da Finlândia, fazendo fronteira com a Rússia e a Letônia. Com uma área parecida com o estado do Espírito Santo, o país é formado por mais de 1.500 ilhas e uma porção continental de paisagens diversificadas, que incluem praias rochosas, florestas e muitos lagos.
Em 1870, a Estônia não era independente, mas fazia parte do Império Russo, um regime autocrático sob o comando do Czar Alexandre II. Sua independência foi conquistada somente em 1918, após o fim do império, quando se tornou uma república parlamentar.
2) Tanel Toom
Tanel Toom é um aclamado diretor e roteirista estoniano. Reconhecido internacionalmente, ele foi indicado ao Oscar de Melhor Curta-metragem em 2011 por seu filme "The Confession".
"Verdade e Justiça" é seu primeiro longa-metragem, um sucesso de crítica e público que se tornou o filme mais assistido na história da Estônia e foi a submissão do país para o Oscar de Melhor Filme Internacional.
Comentários
Postar um comentário