26 - Prece do Caipira na Romaria de Nossa Senhora Aparecida
Arteterapia na Prece de um Caipira.
1 - A Letra Desvendada na Ordem Direta.
Leiam e vão se surpreender com nuances que não são percebidas do canto!
O destino de um só (sozinho) feito eu, perdido em pensamentos, sobre o meu cavalo, é de sonho e de pó.
De gibeira (ou "na gibeira"), o jiló dessa vida, cumprida a sol, é de laço e de nó.
Sou caipira, pira, pora.
Nossa Senhora de Aparecida, ilumina a mina (o subconsciente, a origem das sinas ou o tunel de passagem) escura e funda (adjetivo com vírgula após, onde o trem é o aposto, ou verbo sem vírgula após, onde o trem é o objeto - o canto contempla essa ambiguidade), o trem (o motor e o veículo ou a "coisa" e o repositório) da minha vida.
Sou caipira, pira, pora.
Nossa Senhora de Aparecida, ilumina a mina escura e funda, o trem da minha vida. (optou-se por "funda" como adjetivo de mina)
O meu pai foi peão, minha mãe solidão.
Meus irmãos perderam-se na vida à custa de aventuras.
Descasei, joguei, investi, desisti. Se há sorte, eu não sei: nunca vi.
Sou caipira, pira, pora.
Nossa Senhora de Aparecida, ilumina a mina escura e funda: o trem da minha vida. (outra opção gramatical)
Sou caipira, pira, pora.
Nossa Senhora de Aparecida, ilumina a mina escura e funda que é o trem da minha vida. (ainda outra opção gramatical)
Disseram-me, porém, que eu viesse aqui, de romaria e prece, para pedir paz nos desaventos.
Como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar (os próprios olhos ou a perspectiva de visão do caipira sobre a vida).
Sou caipira, pira, pora.
Nossa Senhora de Aparecida, ilumina a mina escura e funda, o trem da minha vida.
Sou caipira, pira, pora.
Nossa Senhora de Aparecida, ilumina a mina escura e funda, o trem da minha vida.
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2 - A Voz e o Legado.
2.1 - Elis Regina.
Nascida em Porto Alegre em 1945, Elis Regina iniciou sua carreira ainda na infância, vindo a se tornar a maior estrela da música brasileira nas décadas de 1960 e 1970.
Sua trajetória foi impulsionada pela vitória no I Festival de Música Popular Brasileira com a canção "Arrastão", o que a levou a comandar o histórico programa O Fino da Bossa.
Ao longo de sua biografia, Elis ficou conhecida por revelar talentos como Milton Nascimento e João Bosco, além de gravar álbuns antológicos, destacando-se a parceria com Tom Jobim em Elis & Tom.
Sua vida, marcada por uma personalidade vibrante e posições políticas firmes contra a ditadura, foi precocemente interrompida em 1982, aos 36 anos, deixando um vazio irreparável na MPB (Música Popular Brasileira).
2.2 - Maria Rita - Filha de Elis Regina.
Filha de Elis Regina e do músico César Camargo Mariano, Maria Rita iniciou sua carreira fonográfica de forma tardia, aos 24 anos, mas rapidamente se estabeleceu como uma das maiores vozes da música brasileira contemporânea.
Seu álbum de estreia, lançado em 2003, vendeu milhões de cópias e rendeu diversos prêmios Grammy Latino, revelando uma intérprete que, embora carregasse o legado da mãe, construiu uma identidade própria marcada pela sofisticação e pelo domínio técnico.
Ao longo de sua trajetória, Maria Rita transitou com maestria entre a MPB, o jazz e o samba, consolidando-se como uma "sambista de alma" em projetos aclamados pela crítica.
Sua biografia é marcada pela resiliência artística e por uma discografia que celebra a tradição musical do Brasil com um frescor moderno e elegante.
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3 - Significado Profundo.
O caipira representa o ser humano na trajetória de uma vida sob a imprecisão e a incerteza do destino, como um jogo de azar ou de sorte, de ilusão e de pó, que se desfaz ao vento.
Representa a trajetória de uma vida sob a colheita do histórico assimilado de jornadas anteriores, que é mina escura e funda a dirigir o trem do destino que nos carrega à nossa revelia.
O caipira reflete sobre a vida mergulhado em pensamentos sobre o cavalo do destino, que parece marchar ao sabor dos acidentes da desilusão dos sonhos desfeitos.
A vida é uma sina comum, cumprida ao sol, com sofrimento ardente, sem sombra de duradouro descanso.
A solidão, as dificuldades, as perdas dessa vida, que carregamos na memória (como em uma gibeira ou sacola), têm sabor amargo (como do jilo) e que nos enlaçam e nos prendem como por um nó, que não desata.
Da familia, herdamos as sinas transgeracionais e os determinantes psiquicos e culturais, em campos morfogenéticos, e contexto e história que moldam também inevitavelmente o nosso destino.
A vida é também o esforço de superar essa herança no que ela tem de névoa (confusão e mácula) e de desdobrá-la no que tem de limpidez (discernimento e altruísmo) para agregar e transferir um legado de evolução para as próximas gerações.
A vida é também uma coleção inevitável de desencontros nas relações cíclicas que se atam e se desatam na duração curta ou mais longa ao sabor da combinação de indeterminação e determinação, casualidade e causalidade.
Na caminhada, pessoas vem e vão no plano de fundo da solidão, pois, no aprendizado, ante o campo de incerteza dos desafios, precisamos estar sozinhos nas decisões e ações, para amealhar conquistas de superação e remissão.
Ocorrem desencontros indesejados e também magoamos e afastamos seres amados, na confusão mental e na ilusão das miragens do Mundo.
A vida é também feita de perdas na transitoriedade do tempo e de tudo o que nos cerca.
A duração transcorre de forma inexorável e leva o vigor e os desejos nutridos nos planos entabulados, que são desafiados e mutados na casualidade.
A vida é de natural eivada de conflitos na luta de sobreviência e de superação dos obstáculos do meio externo e das nossas limitações internas nos desafios e no desenho de planos de intenções que nos movem e demovem em uma jornada imprecisa e indeterminada.
A vida é uma jornada ao sol que transcorre a todo momento como uma aposta no jogo do destino, onde investimos esforços nos sonhos acalentados.
As intenções, que se materializam em desejos, são o que nos move nas aspirações de felicidade e paz.
Quase sempre malogramos em nossas esperanças e temporariamente desistimos. Mas, o ser humano sempre levanta a cada dia e caminha rumo ao horizonte impreciso do indeterminado, e não abandona a luta.
A sorte e o azar no jogo da vida dependem da perspectiva do olhar.
O ser humano é um caminhante em uma jornada transistória, como frágil personalidade. Mas, é também repositório de assimilação de experiências e aprendizados únicos e preciosos. E sobretudo, há nele uma contraparte eterna que sobrevive, ao tempo e ao ocaso do cosmos, como presença de ser, que é fonte de paz e harmonia, bússola e herança indestrutível, perene e divina - a nossa Essência Eterna e Pura.
A vida tem, portanto, duas contrapartes concorrentes e entrelaçadas em cada instante e trecho da jornada: a vida transitória e a vida eterna, onde esta abarca com sua presença permanente aquela, que se expressa em ciclos de manifestação. ´
A vida compreende assim a dicotomia de estrutura em contrapartes conviventes de transitoriedade e eternidade.
Para os entes, a vida transcorre, de maneira simultânea, na Terra e no Céu, na contraparte Fenomênica e Numênica, Substancial e Imaterial.
Há, então, nos recônditos da Personalidade, uma presença de atenção plena - a Essência, o nosso Eu Eterno - nos substratos profundos à consciência de vigília e além mesmo do subconsciente, ancorada, por meio da ponte do superconsciente, na nossa personalidade transitória.
A vida é, assim, uma flor preciosa de Esperança, que deve ser coroada com as jóias inestimáveis de gestos de Amor, colecionadas no rosário da vida, na nossa jornada eterna, como o nosso tesouro, que os ladrões não podem roubar e mesmo as traças e o tempo não podem consumir.
"Vós sóis peregrinos da Vida, na Terra; mas também, vós sóis deuses, nos Céus, no substrato eterno - não amanhã, mas hoje e agora. Tomem consciência e posse dessa verdade: na imanência e na intemporalidade, vós sois deuses!"
- Jesus de Nazaré utilizando o Salmo 82:6 (transliteração e resignificação de João, capítulo 10: 34).

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